Impacto de periódicos – Novas políticas de arquivamento de dados

Estudos científicos geram grande quantidade de dados passíveis de aplicação no futuro. Entretanto, a maioria dos trabalhos apresenta os resultados de forma sintética, inviabilizando a utilização por outros pesquisadores.

A questão de compartilhamento de dados tem sido muito discutida, embora ainda seja um assunto polêmico, principalmente na área da ecologia. Recentemente, dois periódicos científicos de alto impacto dedicaram-se a esse tema, reforçando a abrangência e atualidade do assunto ( Nature – volume 461 e Biotropica – volume 41, ambas em 2009). Em 2010, periódicos de grande fator de impacto, como American Naturalist, Evolution, Journal of Evolutionary Biology, Molecular Ecology e Heredity, estão publicando em seus editoriais uma nova política para arquivamento de dados.

De uma forma geral, a política assume como condição para a publicação que os dados utilizados no artigo sejam armazenados em arquivos públicos adequados, como GenBank, TreeBASE, Dryade, NCEAS, Knowledge Network for Biocomplexity, na forma de material complementar on-line associado ou em outro repositório de longo termo público e estável. É uma ótima alternativa para garantir a longevidade dos dados.

No Brasil, isso vem acontecendo desde 2004 com o Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O programa PPBio disponibiliza em seu portal (http://ppbio.inpa.gov.br) um banco de dados dos levantamentos biológicos realizados nos sítios de coleta do PPBio e parceiros, além de dados de coleções biológicas. Cada conjunto de dados sempre está acompanhado pelos seus respectivos metadados, que são explicações detalhadas sobre como os dados foram coletados, onde, por quem e quando. De acordo com a política de dados do PPBio, os metadados devem estar disponíveis no site após 30 dias da viagem à campo e o conjunto de dados após 1 ano. Atualmente mais de 160 metadados e 110 conjuntos de dados estão disponíveis no site. No PPBio os metadados estão disponíveis no padrão EML (Ecological Metadata Language), desenvolvido pelo Knowledge Network for Biocomplexity (KNB), uma das redes indicadas na nova política para arquivamento de dados. O PPBio planeja adotar o sistema desenvolvido pelo KNB para aprimorar a disponibilização de seus dados: o servidor Metacat e o editor Morpho. Ambos são utilizados por diversas redes de pesquisas em todo o mundo, dentre elas o PELD internacional (LTER), o National Center for Ecological Analysis and Synthesis (NCEAS), Ecological Society of America (ESA), o Tropical Ecosystem Assessment and Monitoring (TEAM) e Conservation International (CI). Esse sistema também será utilizado para unificar o banco de dados do PELD Brasil.

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